Isabela Abes Casaca

Carlos Magno e as Relíquias de Santana

Carlos Magno e as Relíquias de Santana

“Senhora Santana ao redor do mundo…”

13620277_847106415434458_7268915980031789856_nAs Escrituras Sagradas relatam a genealogia de Jesus, sendo o Messias um descendente de Davi e Salomão. Dentre os antepassados de Cristo também estão São Joaquim e Santa Ana; pais de Maria, avós de Jesus. Várias belas histórias falam deste casal, honrando seu legado. Esta é uma delas…

Narra a tradição que no primeiro século da Era Cristã, fugindo das perseguições, Maria Madalena e outros cristãos, rumaram para a cidade de Apta Julia (atual Apt, no sul da França). Eles levaram consigo as relíquias de Santa Ana e São Joaquim.

Nesta cidade, foram construídas sepulturas em homenagem a Ana e Joaquim, posteriormente edificou-se um templo no local, para guardar as relíquias. Porém, devido a inúmeras invasões, guerras e ataques, o sepulcro estava ameaçado. Para garantir sua preservação; Auspicius, o primeiro bispo de Apta Julia, construiu uma capela subterrânea. Após a morte do bispo, no ano de 118, a exata localidade tornou-se um mistério, assegurando que os tesouros ficassem protegidos de vandalismos e profanações.

Apt_cathédrale_803Somente durante o reinado de Carlos Magno, foi possível reencontrar as ruínas do templo original, pois o rei dos francos apaziguara a região. Todavia, os padres e bispos de Apt não localizaram a sepultura. Os religiosos decidiram construir um novo templo no local, para louvar Santana. Na Páscoa de 801, o rei Carlos visitou Apt para comemorar as solenidades daquela data e inaugurar a igreja.

Muito embora, houvesse alegria naquela edificação, a tristeza também permeava a ocasião, afinal as relíquias ainda estavam desaparecidas. Durante os festejos do domingo de Páscoa, reuniram-se o povo, o clero e a nobreza; dentre os presentes estava o filho do Barão de Casanova; o jovem João, surdo, mudo e cego desde o nascimento.

Embora, o rapaz fosse comumente calmo, algo diferente aconteceu. No momento mais importante da cerimônia, ele se levantou de seu lugar, caminhou até os degraus do altar e bateu com uma vara uma ou outra vez a um passo do altar. Sua família envergonhada tentou tirá-lo dali, mas ele não se moveu, nem mesmo os religiosos conseguiram afastá-lo.

Então, o próprio rei assumiu a situação, ordenou aos trabalhadores que removessem os degraus, uma passagem subterrânea se revelou. O jovem cego saltou para a passagem como se tivessem aberto os olhos de repente, seguido pelo rei e outras pessoas. No final do corredor, encontraram a sepultura; ao mesmo tempo, o rapaz, cego, surdo e mudo, sentiu que a visão, audição e fala haviam sido recuperados:

sainte-anne-statue-apt-luberon-4299-wjpg-117– O corpo de Santa Ana, a mãe da Virgem Maria, mãe de Deus, está descansando lá… – foram as primeiras palavras de João – É ela! É ela! – exclamou. Carlos Magno admirou as relíquias, em profunda veneração ficou algum tempo orando junto a sepultura.

Alguns dias depois, o rei informou ao papa Leão III do acontecido, por meio de cartas. Tais correspondências, do monarca com o pontífice, registram este fato. O local tornou-se um centro de peregrinação, sendo visitado por pessoas de diversas épocas.

E a história continua… Até os dias atuais a Catedral de Santa Ana, na cidade de Apt (Vaucluse – França), existe; guardando o véu de Santana, sua sepultura e de São Joaquim. No Brasil, os nordestinos devotam suas orações a esta gentil e bondosa Senhora, conforme demonstra o canto popular das Lavadeiras de Almenara.

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1) A base para este relato próprio da tradição cristã, se encontra em uma publicação do Convento Beneditino da Adoração Perpétua, do ano de 1958; que foi revisada e republicada em 1963. Para então, no ano de 1998, ser publicada pela editora católica Tan Books: Good St. Anne.

2) As fontes históricas relatam que, no Ocidente, o culto a Santana principiou no século VIII, coincidindo com o período de reinado de Carlos Magno. A oração do vídeo faz parte de uma Novena dedicada a Santana, que é rezada em diversos países.

No século XVII, o papa Clemente VIII, institucionalizou a prece com o nome Pequeno Ofício à Senhora Santana, conforme sustenta a dissertação JULHO CHEGOU… E A FESTA TAMBÉM: Sant’Ana e suas comemorações na cidade de Ponta Grossa (1930-1961), de Maura Regina Petruski.

A oração é encontrada em diversos idiomas, como o francês e o inglês.

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